GAY TEM QUE SER HERÓI

Roberto
São Paulo
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PC!!! Sim, ainda estou vivo! Saudades de você.


Para enfrentar aquela história toda, busquei terapia. Dessa vez fiz com um homem. Até então, eu não conseguia me imaginar fazendo terapia com um homem, e percebi que isso já era um problema. Daí resolvi enfrentar isso também. E posso te dizer que foi ótimo.


Muitas histórias rolaram com aquele carinha nesse período. Claro, nunca aconteceu o que eu quis, mas ele nunca parou de se insinuar. Percebi que ele seduz as pessoas com o único objetivo de se promover, tanto que conseguiu um cargo de chefia depois de trair todo mundo do departamento, desde que um novo gerente assumiu o cargo trazendo com ele um assistente que - olha que coisa! - é gay. Espalhou-se pela empresa toda que ele e o tal assistente tinham um caso, por isso havia conseguido o cargo. Isso nunca ficou comprovado, ele nega. Cheguei a falar isso pra ele dizendo que tinha sido um choque saber isso, já que ele dizia que não era a dele. Ele disse que não tinha nada a ver e acredito que seja verdade, agora, depois de passados tantos meses. O tempo vai colocando tudo no lugar. Desde então ele só anda com essas pessoas, virou o protegido desse pessoal, mas não consegue deixar de vir me ver todos os dias. Nesse meio tempo, casou-se com a menina com quem já vivia, arranjou um cachorro e vive falando dele pra mim, querendo que eu o conheça. Trata como se fosse uma coisa nossa. Agora mudou de casa e veja só: vai ser pai! Existia um boato de que ele não podia ter filhos e no entanto, está aí. Estranho que ele não parece muito animado. Numa época dizia que iria ter um filho para desviar a atenção da esposa e assim ele poder pular a cerca. Hoje não sei mais o que se passa. Existia uma outra menina, casada, com quem, dizem ela teve umas transas também, porque ela era filha de alguém importante, e que ele dizia que tinha que aguentá-la, dizendo “o que não se faz para conseguir algo”. Amigas dela, com a intensão de ajudar, contaram o que aconteceu comigo e, claro, além dela não acreditar, foi contar para ele. E ele veio falar comigo. A história chegou a ele como se eu tivesse ido fazer terapia porque tentei me matar por causa dele. Eu disse que jamais faria isso. Ele ficou tão bravo que não queria mais saber dessas histórias sobre o que eu era a fim. E a partir desse dia nunca mais toquei no assunto.

 


 

Eu sei PC, é uma pessoa que não vale nada. Mas é estranho, não sei, algo me prende muito a ele. Também nesse meio tempo, o nosso departamento mudou da região da Paulista para o centro da cidade. Um horror! O centro tem áreas muito bonitas se fossem bem tratadas. E tem gente, muiiiiiita gente!


Depois de um ano, meu terapeuta me deu alta. Fiquei espantado pois nem sabia que terapeuta dava alta. Fiz em outras épocas e não tinha isso não. Enfim, segundo ele, o problema que me havia levado até lá já estava resolvido ou, pelo menos, eu já estava forte o suficiente para enfrentar a vida.


Se não tivesse que ver o carinha todos os dias, talvez eu já o tivesse esquecido. Mas esquecer alguém tendo que ver todos os dias, não queira passar por isso, PC. Esse é meu grande desafio. Principalmente porque sei que rola algo silencioso entre a gente. Dependendo de quem eu esteja falando ele fica enciumado, daí ele começa a falar com pessoas que ele sabe que me incomodam. Daí começa uma guerrinha muda. De repente começo a ignorá-lo e isso o incomoda muito. Enrola, enrola até me puxar de novo pra ele. E daí fico sem entender pra que tudo isso.


PC, hoje resumi esse tempo que fiquei longe de você. Depois posso contar as histórias com mais detalhes, se você quiser, claro.

 



O fato, é que hoje me sinto mais forte e livre para outras histórias. Mas, com essa pessoa todos os dias se mostrando e por algum motivo querendo me ter por perto, fico completamente desnorteado.


Tem que ser herói!!!

 



Escrito por Roberto às 07h17
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(Bom saber que ainda existe alguém lendo junto com você PC. Vou responder a todos)

E aí PC? Outubro! Um ano que começou a história com aquele carinha. Ou melhor, começou bem antes. Há uns quatro anos atrás, eu o via e achava o mais interessante do prédio. A bundinha mais linda! Mas, era algo distante. Há três anos atrás, quando entrei nesse departamento que estou até hoje, vi que ele trabalhava lá também. Pensei: "isso não via dar certo." Ele me encantava, mas morava com uma menina a um tempo. Isso não impediu que eu notasse que le tinha uma certa fascinação por mim também. Até que, um ano atrás, numa certa segunda-feira, perguntei como tinha sido o fim-de-semana dele. Ele fixou os olhos dele nos meus e disse: "Poderia ter sido melhor". Aquilo foi fulminante. Não desviei os olhos e ficamos assim por um tempo. Caminhei até seu lado e disse: "Te ocorreu que tudo está dependendo só de você?" - "Sim, eu sei", ele respondeu. A conversa continuou diferente pois haviam muitas pessoas em volta. Difícil arranjar momentos sozinhos num ambiente de trabalho. Por vários motivos, não voltamos a conversar sobre isso. Fiquei em dúvida se eu havia entendido certo. Dias depois, eu sairia de férias. Como ele está fazendo um curso de especialização a dois quateirões de casa, sugeri que ele passasse em casa para um café ou algo assim. Ele disse que iria sim, e confirmou quando saí de férias. Mandei um e-mail reforçando o convite e dando o endereço. As férias passaram, e nada. Ele nunca apareceu. Voltei chateado e isso ficou claro para ele. Mas, não comentou. Um dia, conversando com uma menina que trabalha com ele (ele é chefe dela) , comentei algo sobre ele e ela me dizia que ele era um completo babaca e do nada ela me disse: " Roberto, pára de mandar e-mails para ele." Aquilo me intrigou. Como ela sabia do e-mail. Aos poucos consegui arrancar dela. Ele havia mostrado o e-mail para todos da equipe dele, dizendo que eu era a fim dele, que o ficava convidando para ir à minha casa, que eu não havia entendido nada. Aquilo me deixou arrasado. E eu nem poderia dizer nada a ele pois entregaria a menina.

E assim começou essa história que me deixou destruído.



Tem que ser herói!



Escrito por Roberto às 19h45
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E aí, PC? Quanto tempo não falo com você! Um ano e meio? Pois é. Você não imagina como fiquei destruído por causa daquele carinha que trabalha comigo. Estou tão mal que nem consigo te falar agora. Aliás, nem sei se vc quer saber. Quer? A história é meio longa. Estou doente, sem vontade de viver. Voltei a fazer terapia, para ver se consigo sair disso, mas não estou conseguindo. Não sei o que fazer.

Tem que ser herói!!!



Escrito por Roberto às 06h57
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